sexta-feira, 23 de abril de 2010

Idéia, desejo e realidade.

Me peguei pensando em alguma contribuição válida, minha para o mundo inteiro.
Juntando isso as leituras de filosofia e os poemas políticos-musicais do eterno e liberto Cazuza, um misto de interesses e idéias me assolaram, perseguiram na hora de dormir, acabei decidindo escrever sobre tudo, tudo além de mim.

"Meus heróis morreram de overdose,
meus inimigos estão no poder,
Ideologia, eu quero uma pra viver."

Existem dois significados para essa palavra, que eu verdadeiramente simpatizo, Ideologia.
O primeiro é algo que eu repugno, uma maneira de alienar e aprisionar as pessoas a único propósito, uma única maneira, estagnada. Algo que eu considero irreal para o mundo atual.
O segundo, que é meu ideal, fala sobre ter uma crença, algo em que acreditar, um caminho a seguir, a buscar, um norte cheio de expectativas.

Que ideologias nós temos hoje?
Numa sociedade marcada por máscaras, enxergamos o capitalismo engolir a todos, sem exceção. Uma compulsiva Era do consumismo, onde quem tem encontra o status, a proteção social, e quem não tem é excluido e apontado como o problema.
Daí eu trago meu questionamento: o problema verdadeiro não somos nós? Seres sem propósitos, agressivamente individualista, doentes pelo material, vivendo a realidade das coisas mais do que as relações humanas? Não somos nós que identificamos, estudamos, trabalhamos com os problemas dos outros e fechamos os olhos pra não enxergar a realidade além do nosso carro, nossa casa, nosso dinheiro, nosso lazer, exaustivos e interminaveis "nossos"?
Sociedade consciente, é isso que eu escuto sempre, e isso me faz concluir uma única coisa: conscientes da cegueira proposital, desejada.

Liberdade de mente, novos horizontes, quando a bola da vez é a realidade 3D, enxergamos ainda em apenas uma dimensão.

4 comentários:

  1. Poderia ter mencionado O Rappa em 'som e reflexão', senti alguma identificação entre seu modo de se expressar e as músicas da banda.

    No mais... o texto é sua cara: conciso, simples, firme e humano.

    Espero poder acompanhar muitos textos por aqui!

    PS: Não gostei particularmente de "Quadrinhos" e "Capricho" terem sido escritos tão próximos um do outro e aparentemente numa mesma categoria.

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  2. Tirando a mensão ao cinema 3D, notei uma aura de anos 80 no texto. Quando as pessoas tinham mais ideologias e ideologias no sentido ruim eram mais impostas à sociedade.
    Com a evolução tecnológica, álém de ganharmos mais liberdade de expressão e de comunicação, tudo ficou aparentemente mais frágil. No sentido de que, se uma 4ª guerra mundial começar... ninguém pode assegurar de que o planeta será o mesmo depois dela. Porque as armas evoluíram muito, se é que isso pode ser chamado de evolução. Mas pensando bem isso tem o seu lado bom, as próprias indústrias bélicas têm medo de que uma guerra se inicie, meio paradoxal, mas elas, como ninguém, sabem que nações inteiras poderiam ser facilmente destruídas com o uso dos 'últimos lançamentos', e ninguém quer ser punido por um crime como este.
    Mas o meu ponto principal é: Com a evolução tecnológica e o barateamento de aparelhos eletrônicos, como o video-game, a TV, o computador, o celular... entre outros acessos mais fáceis a lazeres, a população se perdeu. Quem quer arriscar a própria vida lutando por um ideal quando pode salvar o mundo inteiro num jogo maravilhoso? Ou melhor, a questão seria: quem pára pra pensar em lutar por um ideal, quando logo depois do almoço passa aquele vale a pena ver denovo que vc não pode perder? São muitas as distrações, são muitas as possibilidades! Assim como a tecnologia, a política do pão e circo evoluíu %$@#&$ demais. Os salários são o suficientemente grandes pra fazer a feira do mes e ir no domingão praquele barzinho (pão) e os programas de TV, os acessos na internet, os jogos e etc são suficientemente amplos pra ocupar os lugares nas cabeças das pessoas que poderiam estar ocupados por 'ideologias' (circo).
    Então, não há tempo, não há consciência, não há motivação, não há vontade, não há mudança.
    Mas há escolha, e todos votam por sanduíche... e espetáculo.

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  3. É, e mesmo assim ninguém para de reclamar e apontar tudo de errado que há ao nosso redor. E é assim que todos vivem, acostumados ao que tem. O sem teto agradece por acordar mais um dia vivo, o favelado por conseguir um pão pra comer um dia inteiro, a classe média baixa agradece pela casa de aluguel, a TV e a geladeira, a classe média alta pelo salário dos pais, os ricos por estarem sempre acima. E todos vivem numa qualidade miserável. Eu apoio as distrações, na verdade eu as adoro, mas me preocupo com a tanto que elas ocupam as cabeças. Até a arte anda prejudicada, qualquer coisa é qualquer coisa, basta ter o atorzinho da vez, basta a música servir pra dançar, e nada mexe com o ser humano, e nossa alma fica assim, congelada socialmente, artisticamente, dentre outras coisas.

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  4. Igor Mariano Sousa Sales28 de abril de 2010 às 19:56

    Gostei do escrito,
    ganhou um leitor.

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